Tem passado mais um mês, mas não foi apenas mais um mês. Foi um mês de cansaço. Um mês de saudades. Um mês de solidão. O passado já ficou atrás, já não existe, acabou. O futuro está aí na frente e sem embargo ainda tão longe. E no presente, um aperto no peito, uma dúvida, e um imenso amor.
São as duas e meia da manhã. O homem que amo está na nossa cama, dormindo. E eu, insone, tentando recomeçar a minha vida, e desejando que o tempo tome coragem e nos leve longe daqui. Que nos deposite no futuro, no que virá. Uma pequena certeza de que as promessas são fortes e de que o amor por si mesmo tem valor e não pode ser abalado porque é grande e puro e verdadeiro.
Não consigo me fazer entender. Não consigo mostrar a verdade. Não consigo.
E por quê tanto esforço, por quê essa insistência em que todo o mundo saiba a verdade? De onde foi que eu tirei essa obsessão?
Eu sou sincera. What you see is what you get.
Então, porque a sinceridade me pede:
Já não vou pretender sinceridade em mais ninguém que não seja eu.
Já não vou pretender ser ouvida por quem nunca pediu me ouvir.
Já não vou mais falar meias verdades para acabar tendo que ouvir meias mentiras.
Já não vou esquecer que a minha verdade é o meu amor, e que o lar desse amor é o respeito.
O Bruno leva anos me pedindo não ouvir as palavras que não falam de respeito, que não falam de amor, e eu não escutei.
Mas agora chega.
Três anos é tempo suficiente para ouvir.
Já ouvi.
Talvez nem tudo quanto eu diga esteja na tua língua.
Talvez às vezes tu me abraces e eu não te compreenda.
Talvez nem sempre estejamos observando a vida pelo mesmo prisma.
Mas estamos juntos e é isto o que nos leva a amar-nos mais um pouco cada dia.
Nós dois, que acreditamos durante anos no nosso amor, e que temos tanta vida ainda por vir.
E já são as três.
Te hago caso, mi vida, y me voy a dormir a tu lado.
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