Lá estava eu na fila do caixa do supermercado, me abastecendo de algumas frutas, leite, filé de merluza congelado, bebida a base de soja... e claro, uns chocolates para passar o final de semana sem muito sofrimento. Tudo para tentar cuidar da minha alimentação, mas sem descuidar dos prazeres. Lá estava eu, inocentemente passando a vista por sobre as revistas que ficam do lado do caixa, a espera de alguém que queira levá-las pra casa junto com os víveres da semana. Alguns rostos desconhecidos, outros que acho já ter visto na televisão, alguém que casou-se, alguém que foi pra praia, e entre eles o rosto de uma atriz da atual novela das oito que eu não só já conheço como acho uma mulher linda, de rosto limpo e agradável, linda mesmo. E qual não foi a minha surpresa ao ler o título da nota: Fulana de tal, 36 anos e ainda com tudo acima! Saiba como fazer! Ou coisa pelo estilo.
CHO – QUEI !
36 anos!? Como assim!? Se eu estou com 31! Era para estar preocupada!? É claro que o meu corpo não é o de 15 anos atrás, mas nem mesmo eu ia querer isso aí. A mulher depois dos 30 só se aprimora, não tem nada caindo nem anunciando uma calamidade. Sim, temos que cuidar dos nossos corpos, sair caminhar, correr, se exercitar de todos os jeitos possíveis, mas não vamos exagerar! Os trinta não são mais do que uma juventude que começa a se misturar com a maturidade de quem já viveu bastante, mas que ainda olha pra frente consciente de que tem muita coisa boa por vir.
Infelizmente não posso atribuir à cultura brasileira esse erro conceitual sobre as idades atuais de um ser humano, especialmente das mulheres. Mesmo assim e em contrapartida, o estilo de aparência escolhido pelas mulheres brasileiras é bem diferente dos das argentinas. Umas amigas francesas me disseram faz uns anos atrás que as mulheres argentinas se vestiam como se fossem mais novas, em comparação com as francesas. Talvez as brasileiras fossem achar a mesma coisa. Não sei. Eu teria várias coisas a dizer sobre os costumes femininos das brasileiras na hora de escolher as roupas. Do tipo: calça de malha colada no corpo não é roupa pra sair na rua (nem para estar em casa, se aceitam a minha sinceridade), calça jean tão apertada assim não é bom pra saúde sexual (ao menos não para a saúde da mulher), abusar do sutiã com recheio acaba com toda intenção de bom gosto, caminhar acima de 15 centímetros de sola não dá a impressão da mulher ser mais alta e sim mais traumatizada... coisas do tipo. Mas não vou, porque já toda mulher sabe que tem coisas mais importantes do que o visual, e olha que isto dito por alguém que adora assistir os desfiles de moda no Fashion TV, mas moda é uma coisa e submissão sexual é uma outra muito diferente. Cuidado com confundir.
O respeito por cima de tudo. Isso é o que não pode cair. O respeito por si mesmo. O respeito pelo corpo e a saúde sexual e mental, não só das mulheres, dos homens também. Já ouvi a mais de um homem se queixar de não querer ser usado pelas mulheres que conhecia. Incrível, né? É só saber ouvir. Observar.
E assim foi que saí do supermercado, me sentindo injustiçada. Até que pensei: e as mulheres de mais de 30? E as mulheres que já estão com quarenta e poucos? Pois é, coitadinhas, tomara já tenham aprendido a nunca olhar para as revistas enquanto aguardam na fila do caixa do supermercado.
Cho-quei.