31 de outubro de 2009

Septiembre


Existem dois acontecimentos importantes no mês de Setembro. O meu aniversário e o dia da Primavera.
Setembro é um mês lindo. O mês onde retornam as flores, o verde, o sol, o calor e o mês onde eu começo mais outro ano de vida.
Setembro é o mês da vida, e do amor.
O mês do recomeço.
O dia do meu aniversário também é lindo: 10 de Setembro. 10 é um número lindo, o número do completo, da perfeição. E a perfeição e o completo são o reflexo do leit motiv que conduz a minha vida. A minha eterna busca. E a razão de tanto dinheiro investido em terapia para tentar aceitar que a perfeição e o completo não existem.
Para festejar o meu primeiro aniversário longe da minha família e amigos, o Bruno me levou até Novo Hamburgo, numa feira de calçado. Gente! Tanto sapato junto é o céu de qualquer mulher! Por causa do clima ainda não consegui estrear a nossa aquisição: o par das mais belas sandálias de salto que eu já tive.
Logo após os festejos que não vou publicar aqui por fazerem parte da minha vida privada, comemoramos com parte da família dele, em Pelotas. (Cidade que gera uma boa risada nos nossos amigos porteños). E finalizando apenas em Outubro, com os parabéns cantados em português, espanhol e francês! (Veja-se post “As amigas da minha mãe...”)
Em fim... 31 anos feitos em Porto Alegre. Adorei.
Do que eu já não gostei tanto assim foi do dia da Primavera. Quer dizer, ao começo não gostei. O rechaço do primeiro momento, do diferente. Os meus leitores conterrâneos vão me compreender.
Acordei no segundo dia mais feliz do ano, o dia 21 de Setembro. Sonhando já com as flores da nossa sacada se multiplicando e com as tantas outras que irão aparecendo nas ruas desta linda cidade, disse eu Feliz Primavera para o meu lindo namorado. Os dois sentados à nossa linda mesa, tomando o café da manhã, juntinhos, como é o nosso costume. E qual não foi a minha surpresa ao ver a reação dele: “Meu amor, o dia da Primavera não é amanhã?”
!!!
Nossa senhora! Logo de algumas idas e vindas e só depois de ter conferido várias vezes no calendário é que veio a revelação: o dia da Primavera no Brasil é o dia 22 de Setembro! O que é que é isso, minha gente?! 22?! Que dia ridículo de dois patinhos nadando na lagoa vão escolher para festejar...? Tá bom. Primeiro susto passado, quer dizer, primeiras horas de espanto superadas, aceitei-o. Nem o dia da Primavera é igual aqui. E mais uma diferença cultural para acrescentar na lista. Quantas coisas nas que não paramos para refletir. Quantos costumes que aceitamos como absolutos e que a escassos 1000 kms de distância não são tais.
Vejamos o lado bom da vida. O meu namorado e eu temos duas datas nas que festejamos o dia dos namorados, o St. Valentine´s Day: 14 de Fevereiro e já não lembro quando é que é aqui no Brasil. (Diga-se de passagem que em espanhol é o “dia dos apaixonados”, dos que se amam, e não dos namorados. Coisa que eu apoio, nem toda pessoa que ama tem a sorte de viver do lado do seu amado,e é claro que chegado o momento de legalizar a união no cartório não vão os amantes a deixarem de festejar aquele amor que os une, não é?!) Então, agora temos também um festejo de dois dias inteirinhos para receber a Primavera. Ao melhor estilo antigo, os festejos devem mesmo durar dias.

E assim passou-se o primaveral e romântico mês de Setembro.
A vida continua, e renova-se com a chegada da Primavera.
Encontra-me um ano mais velha, como sempre, como a todos. E com mais vida em mim. Mais passado, mais vivencias. Mais razões para festejar.
Seja bem vinda a Primavera na vida de todos.
Seja bem recebida essa nova chance de recomeçar.
Feliz mês da vida e do amor.
Feliz mês da natureza.
Feliz Primavera.

As amigas da minha mãe e as filhas das amigas da minha mãe.

A minha mãe é uma pessoa a quem respeito profundamente. E a quem admiro. E uma das coisas que eu mais admiro dela, é a amizade que ela tem com uma grande quantidade de pessoas. Todas elas muito especiais, carismáticas e algumas bem divertidas. Em resumo: adoro as loucas amigas da minha mãe.
Neste caso vou me referir a uma a quem não posso colocar na categoria de “louca”, sendo ela uma pessoa bastante tranqüila, mas definitivamente especial e carismática. E nem é dela que eu vou falar, mas da filha dela, a quem eu nunca tinha conhecido até umas semanas atrás. Na verdade, vou contar essa história em plural, pois foi vivida de a dois.
Acontece que o ano passado, o meu namorado e eu conhecemos algumas amigas da minha mãe a quem ainda não tínhamos tido o prazer de ser apresentados. Por várias razões o nome de Paula S. esteve em algumas conversas (entre alguns outros, sem falar da presença em corpo e alma da nossa querida “Negra”, que vamos ver quando é que vai nos dignar com a sua presença por estas terras). Em fim... a loja linda que Paula tem na rua Defensa, no nosso querido bairro de San Telmo. (Por sinal, Defensa é a rua da minha família. E uma brincadeira psicanalítica se faz quase impossível de resistir.) ...o fato da cantora Liliana Herrero, a quem meu namorado adora, ser íntima cliente dessa loja, embora nunca tenhamos tido a sorte de coincidir com ela em tempo e espaço. Mas foi faz uma ou talvez duas semanas atrás que voltamos falar sobre ela. Mais exatamente, sobre a filha dela. Acontece que nós dois já tínhamos ouvido falar que ela é artesã, que faz jóias (também vendidas na loja da rua Defensa), que mora em Montevideo com o seu companheiro e que eles tem o garotinho mais lindo como filho.
Em resumo, a Camila estava vindo pela primeira vez para POA. Duas semanas de Féria Latinoamericana de Artesanato, 19ª edição, lá no Gasómetro, bem pertinho de casa. E assim foi como conhecemos à Camila: ela tocou a campainha de casa uma quarta de primavera, à tarde, e ficou morando conosco, sem a gente ter conhecido ela anteriormente, nem ela saber onde é que estava se metendo. Porque é preciso dizer que dificilmente ela soubesse da nossa existência até pouco tempo atrás. E assim começou o que tomara seja uma longa e linda amizade.
A experiência de convívio foi muito boa. O Bruno e eu ficamos muito felizes por té-la tido em casa durante esses dias, passados os quais a família dela veio encontrá-la: Tomás e Gorka, os dois amores da Camila.
Houve até uma reunião aqui em casa, aos três dias dela ter chegado, e com escusa do meu niver. Foi uma noite muito divertida. Aos brasileiros (nacionalidade esperada, é claro) somaram-se uns alunos estrangeiros, colegas de faculdade do Bruno, a quem achamos seria legal convidar para a ocasião. Éramos então, dois brasileiros, duas brasileiras, duas argentinas, uma francesa e um espanhol. Cada qual falando uma mistura de espanhol com português. Muita risada e boas amizades. Os amigos do meu namorado são, sem exceção, pessoas muito queridas.
A Camila passou a última noite da feira aqui em casa conosco. A família dela já tinha ido embora. Acordamos cedo para despedi-la, lá onde a conhecemos, na porta da nossa casa.
E assim foi como voltamos à nossa rotina. Com saudades da Camila, e a felicidade de termos feito bons amigos. E tudo, pela confiança que o Bruno e eu temos na minha mãe.
Por sinal, o Garfield está com saudades do Gorkita!