1 de junho de 2009

Criatividade.

No ano passado, para me formar, precisei escrever um trabalho sobre a criatividade nos espaços educativos. Foi prazeroso e estimulante pôr em palavras uma convicção que tem tanta antiguidade em mim. E é gratificante também, saber que faz tempo que existem educadores, sociólogos e até psicólogos que já escreveram pensamentos semelhantes. Encontro as minhas inquietudes demarcadas em nomes que inspiram bastante respeito, e isto me ajuda a dar um outro passo. Eu não vou publicar aqui esse trabalho, até porque seria extenso demais, mas sim gostaria de projetar essa proposta a todos os outros campos da vida. Porque, o que seria do ser humano sem a criatividade? O que seria de todos nós se não fossemos capazes criar, de imaginar, de inventar e reinventar? Inventamos contos para os mais pequenos, carinhos para aquele que queremos, escusas para nos justificarmos, sabores para nos alimentarmos com prazer, sons, imagens, vestiduras, cartas de amor... Existem grandes empreendimentos criativos, assim como também existem pequenos gestos em aquilo que, sem eles, não passaria de uma simples repetição cotidiana. A criatividade nos leva a surpreender e ser surpreendidos. Redecorar a nossa casa. Rearranjar o guarda-roupas. Improvisar jantas românticas. Inventar presentes. Voltar em casa por um caminho diferente. Caminhar observando as partes superiores dos predios, na espera de alguma manifestação arquitetônica. Determos-nos a descobrir quantos cantos de pássaros diferentes chegam pela janela. Pode parecer que não, mas inventar pequenos momentos que façam o nosso dia especial, é um exercício criativo. Tanto quanto planificar uma aula de música. Tanto quanto planificar uma composição. E é a prática desse exercício o que vai nos permitir redescobrir constantemente o mondo que nos rodeia, assim como redescobrimos à pessoa amada a cada ano que se passa: prestando atenção. Abrindo os olhos, os ouvidos e o coração.

E para que fazer tudo isto? Para que viver se carregando de trabalho inventando coisinhas que a ninguém importam?

Bom... essa é uma opção pessoal. Infelizmente (o por sorte), eu sou do jeito que eu sou, e eu desgosto muitíssimo ir dormir e não poder pensar nem num momentinho que seja, daquele dia, que tenha valido a pena. As vezes, as menos, são satisfações maiores. Ter arranjado um trabalho que desejava muito, passar um exame difícil, finalizar satisfatoriamente uma composição, o aniversário de uma pessoa especial, em fim... essas coisas que acontecem apenas e vez em quando. A mais das vezes são só pequenos prazeres, proporcionalmente mais intensos quanto mais criativa eu tenha amanhecido naquele dia. Mas, como tudo na vida, é uma questão de prática. Tal vez não seja possível começar por pintar um quadro, mas pode se fazer o bosquejo. Tal vez não seja o melhor poema, mas pode ser o primeiro de muitos. Tal vez eu não seja nunca uma chef profissional, mas ao menos é descoberto em mim uma moderna aprendiza de cozinheira.

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