Preciso organizar meus pensamentos.
Tem tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que as vezes fica difícil não se perder no meio de uma nuvem gigante de preocupações e questões a resolver. Mas a pergunta que mais soa na minha cabecinha nestes dias é: da onde foi que eu vim tirar essa ridícula idéia de que eu não ia me sentir estrangeira, morando no estrangeiro?! Sendo filha de uma espanhola que se sente argentina, tendo desejado a vida toda viajar pelo mundo inteiro (coisa que ainda não consegui fazer por falta de recursos, mas já farei), e estando loucamente apaixonada por um maravilhoso brasileiro que se apaixonou por Buenos Aires no dia em que foi ao meu reencontro (pois foi Curitiba a mágica cidade que nos presenteou com este imenso amor), eu, inocentemente, achei-me além das fronteiras e as diferenças culturais. Pois bem, as diferenças culturais estão me fazendo dançar ao ritmo descompassado da minha tolice. Eu fico pensando que Porto Alegre deve estar cheia de estrangeiros. Não digo turistas, porque esses estão só aproveitando das vantagens de vir de um outro mundinho lindo e conhecido, apenas para enriquecer-se de novidades e rejuvenescer a alma com o encanto do desconhecido. Não. Eu digo os estrangeiros, vindos de diferentes cidades e culturas, que por sabe cada quem que razões, submeteram-se (no melhor dos casos por vontade própria) a essa enriquecedora experiência de viver no exterior. Já a expressão sozinha é pra dar medo: viver no EXTERIOR. Como se a gente fosse viver na galáxia, fora do mundo que conhecemos como planeta Terra. Pois bem, a sensação chega até a ser essa sim.
No fundo, no fundo, eu acredito mesmo que o lar fica onde mora o meu amor. Que a sensação de lar vem de dentro de cada pessoa e não de fatores externos. Por tanto, o lar de cada quem tem que ir junto onde seja que essa pessoa for. Mas... Que difícil escolher. Que difícil se fixar. Eu me recuso. Não quero me fixar numa cidade, embora o meu amor pela maravilhosa Buenos Aires já esteja esquecendo todo quanto eu não suporto dela. Quer dizer, eu já fazia tempo que não agüentava mais morar em Baires, e acho que depois de trinta anos isso é bastante compreensível, não é? A poluição, o barulho dos ônibus, a imensa quantidade de pessoas que percorrem as suas ruas (ah, essas belas ruas...) incessantemente, a falta de amabilidade com a que se relacionam as pessoas e a sensação de que nada muda nunca e de que sem embargo todo está em constante renovação. A falta de espaços verdes e de céus onde descansar os olhos. A pobreza e a violência, que nos são novas, ao menos nessa magnitude, aos antigos habitantes dessa cidade. Tudo isto ainda está aí, e eu ainda desgosto fervorosamente de todo aquilo, mas vejam só: Buenos Aires é um caos, chega a ser um horror quando se tem direito a vê-la nua, desde dentro dela mesma, mas no entanto ela é dona de uma delícia, de um encanto, que uma vez conquistado, o coração de ninguém consegue se livrar desse feitiço. Dizem por aí que nunca ninguém vai-se embora de Buenos Aires. E eu acredito que é mesmo assim. Não é possível fugir de tão perfeito amor. E eu, que sou uma filha fiel daquela mágica cidade, me reconforto refletindo sobre ela e eu, eu e ela. As duas insuportáveis, caóticas, caprichosas, mas inegavelmente adoráveis.
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